Ela faz duas coisas ao mesmo tempo, deixa você olhar para fora sem sair e deixa coisas entrarem, e a interpretação se agarrou às duas.
A janela cumpre duas funções ao mesmo tempo, e a interpretação dos sonhos se agarrou às duas. Ela permite ver para fora sem sair, e permite que coisas entrem. Por isso a imagem chegou até nós lida como perspectiva de um lado e como oportunidade ou exposição do outro, com o que você estava fazendo diante do vidro decidindo qual das duas se aplica.
As variantes são distintas o bastante para os intérpretes tratarem quase como cenas separadas.
Janela estilhaçada pesa mais do que a maioria das versões, em geral interpretada como algo arrombado ou como proteção que cedeu, e é das poucas de que se acorda com a sensação ainda grudada. Janela emperrada, ou pintada por cima e que simplesmente não abre, é lida como enxergar uma saída sem alcançá-la. Nenhuma das duas é presságio. As duas descrevem a posição em que alguém se encontra. Vale lembrar aqui que a maioria dos sonhos desse tipo tem uma janela específica dentro, e a lembrança colada nela manda mais do que qualquer regra geral.
Quarto de infância, a que fica acima da pia da cozinha, a do corredor de hospital, a de um hotel numa semana ruim. Se você reconheceu qual era, a memória presa àquele vidro é a interpretação, e tudo que está escrito acima vira nota de rodapé. Quando não deu para reconhecer nenhuma, aí sim as leituras herdadas ajudam a começar.


