Os livros antigos se contradizem abertamente aqui. O que contar, achar e dinheiro falso costumam descrever, e por que nada disso entra numa decisão de verdade.
Poucos símbolos se contradizem de forma tão aberta. Os livros de sonhos antigos tratam achar dinheiro como boa sorte e, na mesma página, avisam que dinheiro sonhado se inverte, de modo que ganhar valeria por perder e perder por alívio. O que sobrevive à confusão é a impressão de que a cena raramente fala de moeda: ela funciona como medida de valor, de energia e daquilo que a pessoa acredita ter disponível para gastar.
Contar é a versão mais relatada e aponta para fazer um balanço, conferir se algum tipo de recurso vai dar. Achar nota ou moeda no chão ficou ligado durante séculos a notar algo valioso que passava despercebido, e esse algo tanto pode ser uma habilidade quanto uma amizade ou uma hora livre no dia. Entregar sugere investimento em outra pessoa. Receber aparece nas fontes antigas como reconhecimento, embora várias delas acrescentem ao presente uma nota de dívida.
Nota que se desmancha, moeda do tamanho errado, cédula de país nenhum: são relatos comuns e costumam indicar dúvida sobre o valor de algo que ofereceram a quem sonha, ou que ela já aceitou. Dinheiro falso carrega a forma mais forte disso, colado à suspeita de fingimento, seja numa situação, seja na própria pessoa.
Sonho nenhum anuncia pagamento, boleto ou prêmio, e nada dessa tradição serve para decidir qualquer coisa de dinheiro. O que ela descreve é uma sensação de suficiência, jamais uma quantia. Quando a imagem se repete durante um aperto financeiro real, a explicação banal é a forte, porque preocupação acompanha as pessoas até dentro do sono.
Conta muito, também, o que dinheiro significava entre as paredes em que você cresceu: quem foi criado vendo cada moeda ser contada não sente um maço de notas do jeito que sente alguém que nunca precisou pensar nisso, e essa diferença pesa mais do que qualquer dicionário de símbolos.


