Está entre as cenas mais relatadas em qualquer lugar do mundo e a tradição lê nela um encerramento ou uma passagem, jamais o anúncio da morte de alguém.
Convém dizer logo, porque esta é uma página que muita gente abre assustada: morrer em sonho é uma das cenas mais relatadas que existem e, em praticamente toda escola de interpretação, ela aparece como fim ou como troca de estado. Nenhum intérprete sério trata a imagem como notícia de que alguém vai morrer, e isso vale igual para a sua morte, a de um desconhecido e a de quem você ama.
O hábito antigo é entender a cena como um capítulo se fechando: um emprego que acabou, uma versão sua que ficou pequena, um acordo que na prática terminou meses atrás. Gente no meio de uma virada grande relata a própria morte com enorme frequência, e nesse contexto a leitura mais difundida é a de que a parte de você adaptada ao arranjo velho está saindo de cena. A imagem também chega depois de mudanças sem nada de trágico: outra cidade, um curso que terminou, um filho que saiu de casa. Isso é leitura simbólica, com todas as letras, e não carrega informação nenhuma sobre o tempo de vida de quem quer que seja.
Sonhar com uma pessoa que morreu é comum e costuma mexer fundo. Quem está de luto descreve noites em que o outro aparece vivo, ou morre outra vez, ou apenas senta ali e fala pouco. O entendimento corrente é o mais simples de todos: a cabeça continua voltando a uma perda que ainda pesa. Muita gente acorda em lágrimas e mesmo assim guarda a noite com carinho. Nada disso precisa virar recado, e ninguém deve se sentir obrigado a procurar um.
O que aquela pessoa representa para você molda o sonho mais do que qualquer verbete conseguiria, e daí duas pessoas sonharem o mesmo velório e acordarem com sensações opostas. O susto que ficou fala do seu presente, não do que vem pela frente. E se essas noites se repetem e estragam o seu sono em vez de passarem batido, é assunto que cabe numa conversa com alguém de confiança, pelo motivo mais banal do mundo: dormir mal desgasta.


