Cada signo encara um único oposto do outro lado da roda, a seis meses do seu aniversário, e a tradição lê a dupla como duas metades da mesma necessidade.
O oposto do seu signo é o que fica bem do outro lado da roda de doze, a seis posições de distância, e tanto faz contar para a frente ou para trás. As duplas são seis e não mudam nunca: Áries com Libra, Touro com Escorpião, Gêmeos com Sagitário, Câncer com Capricórnio, Leão com Aquário, Virgem com Peixes. Meia volta na roda dá 180 graus, e esse afastamento tem nome próprio na astrologia, oposição. Entre todas as distâncias possíveis entre dois signos, é a única que a tradição descreve como puxão em vez de estorvo.
O Sol atravessa os doze signos em um ano e gasta perto de um mês em cada um, então seis signos adiante equivalem a mais ou menos seis meses adiante na folhinha. Quem faz aniversário no começo de maio, sob Touro, tem o oposto no começo de novembro, sob Escorpião. Quem nasceu em Câncer, no meio do inverno brasileiro, olha para Capricórnio, que cai nas festas de fim de ano.
Daí sai o atalho mais rápido para achar o oposto de qualquer pessoa: some seis meses à data de nascimento dela e veja em que signo você aterrissa.
O desenho dos seis eixos é sempre o mesmo. Uma necessidade que todo mundo tem é cortada em duas, e cada ponta fica com uma das metades.
Nenhum desses seis eixos coloca uma qualidade contra um defeito. Dos dois lados existe uma posição defensável, e é por isso que a discussão dentro de um eixo se arrasta por anos sem que alguém ganhe de vez.
Contar seis posições cai sempre em um signo da mesma modalidade, que é o rótulo de quem inaugura, de quem segura e de quem transforma. Áries e Libra inauguram os dois. Touro e Escorpião seguram os dois. Gêmeos e Sagitário transformam os dois. Na prática, uma dupla de opostos combina de ritmo e discorda de rumo.
Com os elementos acontece coisa parecida. Fogo sempre encara ar, terra sempre encara água, e não existe oposição juntando fogo com água ou terra com ar. Sobram justamente as duas misturas que os manuais antigos já classificavam como fáceis, de modo que uma oposição nasce feita de ingredientes que não iam se repelir.
A lista antiga de regentes, que entrega a cada signo um planeta como responsável, repete o padrão mais uma vez. Marte e Vênus se encaram duas vezes, em Áries com Libra e em Touro com Escorpião, trocando de lado. Lua e Saturno se encaram em Câncer com Capricórnio. Mercúrio e Júpiter se encaram nas duas duplas restantes, Gêmeos com Sagitário e Virgem com Peixes. Leão e Aquário ficam fora da simetria porque Aquário ganhou um regente novo depois que Urano foi descoberto, em 1781.
Uma vez por mês a Lua fica no lado do céu contrário ao do Sol e mostra para a Terra a face iluminada inteira. É só isso que produz a lua cheia, e o ciclo completo das fases leva 29,5 dias. Como o Sol está passando por um signo e a Lua se encontra no signo de frente, toda lua cheia acontece em cima de um daqueles seis eixos.
A leitura tradicional aproveita a imagem e trata essa noite como hora de fechamento, quando o que estava dividido aparece por inteiro. A explicação do fenômeno é a de cima, geométrica; a leitura é o que as pessoas passaram a fazer com ela ao longo dos séculos.
Pergunte a alguém de que signo essa pessoa não gosta e a resposta cai no próprio oposto com uma frequência que chama atenção. Isso não desmente a atração, é a mesma coisa vista por trás. Os astrólogos chamam o caso de projeção: a metade do eixo que você não exerce fica com outra pessoa, e você se irrita com ela justamente por exercê-la.
As queixas se repetem com precisão quase cômica. O capricorniano que nunca admite precisar de ajuda acha Câncer grudento. A canceriana que jamais cobrou reconhecimento acha Capricórnio calculista. Aquário chama Leão de egocêntrico e Leão devolve chamando Aquário de gelado. Cada reclamação acerta o alvo, e cada uma aponta para a metade que falta em quem reclama.
É por isso que a oposição entra na lista dos ângulos tensos, e não na dos confortáveis. Tenso, no vocabulário da astrologia, quer dizer que dá trabalho e devolve alguma coisa.
Tudo o que veio até aqui usa o signo solar, que é a posição do Sol na sua data de nascimento. A oposição, porém, vale para dois pontos quaisquer do mapa astral, o desenho do céu montado para a data, a hora e a cidade do seu nascimento. Dois corpos separados por meia volta ali dentro estão em oposição, e isso não tem relação com o signo que você responde numa roda de conversa.
Todo mapa carrega ainda um oposto embutido. Na frente do ascendente, nome do signo que despontava a leste no momento do parto, fica o descendente, e a tradição associa esse ponto às parcerias. Quem nasceu com Touro subindo tem Escorpião do outro lado. Quem sabe a hora exata costuma achar esse eixo mais parecido com o que procura nas pessoas do que o próprio signo solar.
Sobre o peso de tudo isso, convém ser direto. Astrologia, aqui, vale como repertório antigo para dar nome ao que se percebe, e não como método de previsão testado. Ninguém demonstrou que duplas opostas formem casais mais duradouros. Onde o eixo rende é como pergunta: quando a mesma briga volta sempre com o mesmo formato, vale checar qual ponta de uma necessidade compartilhada cada um está segurando, porque aí some o culpado e aparece uma necessidade partida ao meio. O zodíaco não inventou esse padrão. Ele deu nome a seis versões dele e as arrumou em círculo.


