Três tiragens de tarô para começar

Uma carta, três cartas e uma cruz de cinco resolvem quase tudo que chega à mesa, porque cada posição já traz a pergunta que a carta ali responde.

Tiragem é o desenho em que as cartas são distribuídas, e cada lugar desse desenho carrega uma pergunta que a carta caída ali tem de responder. A mesma figura diz uma coisa no ponto reservado ao que está travando o assunto e outra bem diferente no ponto reservado ao que ajudaria. Boa parte do resultado de uma leitura vem do formato, e não das cartas sorteadas.

Três formatos dão conta de quase tudo no início: uma carta sozinha, uma linha de três e uma cruz de cinco. Os arranjos grandes são a mesma ideia com mais peças em jogo ao mesmo tempo, e ficam bem mais fáceis de aprender depois destes do que no lugar deles.

Combine as posições antes de embaralhar

A regra que faz qualquer desenho funcionar é definir o que cada ponto da mesa significa antes de encostar uma carta nele. Diga em voz alta ou anote no papel, mas resolva de antemão. Quem batiza as posições depois batiza conforme o que saiu, e aí a leitura devolve só aquilo que você já pensava ao sentar.

Deixe as cartas voltadas para baixo enquanto distribui e revele uma por vez, seguindo a ordem em que os pontos foram combinados. Virar todas de uma vez puxa você a ler a mesa de trás para a frente, começando pela imagem mais dramática que estiver ali e encaixando o resto nela.

Uma carta: a tirada do dia

Vire uma carta só e dê a ela uma função única. Em geral essa função é apontar no que reparar hoje, ou qual é o tom daquilo em que você está prestes a entrar.

Começar por aqui importa porque uma imagem isolada obriga você a olhar de verdade. Sem outra ao lado para comparar, sobra descrever o que existe no desenho: quem está ali, o que a figura segura ou faz com as mãos, se o cenário parece calmo ou apinhado, e como tudo isso conversa com a sua dúvida. Descrever antes de concluir é a habilidade inteira, e formatos maiores permitem pular essa parte, correndo direto para uma história bonita.

Registre a carta com uma linha sobre como o dia acabou saindo. Um mês assim deixa você com significados de trabalho escritos com as suas próprias palavras, e eles rendem mais do que qualquer lista decorada de um manual.

Três cartas: a linha

São três cartas lado a lado, distribuídas da esquerda para a direita. O rótulo famoso é passado, presente e futuro, e ele é o mais fraco de todos, porque convida você a tratar a terceira carta como prognóstico em vez de leitura.

Rótulos melhores para os mesmos três pontos:

  • Situação, obstáculo, conselho. A versão mais útil no geral: onde as coisas estão, o que está no caminho, o que fazer a respeito.
  • O que sustenta, o que emperra, o que passou despercebido. Boa quando você já entendeu o problema mas fica girando nos mesmos três pensamentos.
  • Primeira opção, segunda opção, o que nenhuma das duas resolve. Para decisões. A terceira carta ganha o lugar dela aqui, porque costuma revelar do que a escolha se trata de fato.
  • Cabeça, corpo, circunstâncias. Menos uma pergunta e mais um balanço, para os dias em que nada específico está errado e mesmo assim alguma coisa está.

Leia as três como uma frase só, e não como três veredictos empilhados. Repare se elas compartilham naipe, cor ou clima, e se as figuras estão viradas uma para a outra ou de costas. Uma linha em que toda imagem está agitada conta algo diferente de uma linha com uma carta parada no meio, quaisquer que sejam os sentidos isolados.

Cinco cartas: a cruz pequena

A cruz de cinco é o primeiro formato com espaço para uma situação embolada. Ponha uma carta no centro, depois uma à esquerda dela, uma à direita, uma acima e uma abaixo.

  • Centro, o miolo do caso. Do que isso trata realmente, que nem sempre coincide com o que você perguntou.
  • Esquerda, o que levou até aqui. A pressão ou a decisão de onde a situação brotou.
  • Direita, para onde caminha se nada mudar. Um rumo em andamento, e não uma sentença assinada contra você.
  • Acima, aquilo que você percebe. O objetivo que você declara, ou a versão dos fatos que você contaria em voz alta.
  • Abaixo, aquilo que fica por baixo. O motivo ou o receio que você não disse, com frequência a carta mais aproveitável da mesa.

O par que merece atenção demorada é o de cima com o de baixo. Quando esses dois combinam, você conhece a própria cabeça e o problema é de ordem prática. Quando se contradizem, o desenho encontrou a dificuldade verdadeira, e as outras três cartas passam a ser comentário sobre ela.

Qual formato para qual pergunta

Ajuste o tamanho do desenho ao tamanho da dúvida. Uma carta para um dia ou um estado de espírito, três para uma decisão específica ou um problema emperrado, cinco para algo enrolado que você vem carregando há semanas. Distribuir cartas extras porque a resposta desagradou é o vício mais comum de quem está aprendendo e o caminho mais rápido para transformar uma leitura em barulho.

A pergunta também muda conforme o formato. Querer saber se alguém vai ligar não cabe em nenhum dos três, já que 78 imagens não trabalham com sim e não. Querer saber o que você não está enxergando naquela história cabe em qualquer um deles, e ainda sobra material para os cinco pontos da cruz.

Numa descrição honesta, o que acontece aqui é simples: uma imagem sorteada cai dentro de um ponto que obriga você a ligar as duas coisas. A ligação vem de você, e não do baralho. O valor está no que aparece enquanto você a constrói, a objeção que você nem sabia que tinha, o alívio ou a resistência que sobem quando uma carta desce na mesa, a frase que você diz em voz alta e só então escuta direito. Tomados como um jeito organizado de pensar uma questão, e não como boletim do que ainda vai acontecer, estes três desenhos duram anos.

Perguntas frequentes

Posso montar a minha própria tiragem?
Pode, e quem lê há anos faz isso o tempo todo. Anote o que cada posição pergunta antes de distribuir, mantenha a quantidade pequena o bastante para você guardar todas na cabeça e dê a cada uma um serviço distinto, para que duas não estejam perguntando a mesma coisa disfarçadamente. Um desenho feito sob medida para a sua dúvida costuma render mais do que um famoso que quase serve.
Qual é a diferença entre tiragem e leitura?
A tiragem é a parte mecânica: o formato escolhido, as posições nomeadas e as cartas distribuídas em cada uma. A leitura é o que você faz com esse material depois, quando junta o sentido das cartas ao papel de cada posição e chega a uma conclusão. Duas pessoas podem receber a mesma tiragem e sair com leituras bem diferentes.
Carta de cabeça para baixo conta nestes três formatos?
Só se você decidir isso antes de embaralhar. Enquanto está aprendendo, é perfeitamente razoável ignorar a orientação e ler tudo em pé, o que corta pela metade a quantidade de sentidos a lembrar sem tirar nada dos três formatos daqui. Deixe as invertidas para mais tarde, quando os sentidos em pé já parecerem seus.
Dá para usar estes formatos lendo para outra pessoa?
Dá, com dois cuidados. Peça que ela mesma formule a dúvida, porque uma pergunta traduzida por você já vem torta, e explique as posições antes de distribuir, para ninguém achar depois que o desenho foi ajustado ao resultado. Assunto de saúde, dinheiro grande ou processo judicial fica fora: isso é conversa para profissional da área, não para uma mesa de cartas.

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